UM IRMÃO
DE IDEAL
Há
homens que nasceram para liderar
e construir. O professor Clementino
Siqueira é um deles. Por
onde passa deixa a sua marca. Inteligente,
criativo e empreendedor, honrou
e dignificou todos os cargos que
ocupou no Estado.
Clementino Siqueira, esse amigo
e companheiro leal dos bons tempos
da APEP, é um administrador
ousado e competente. No início
da década de 70, em meio
a uma vitoriosa experiência
como superintendente do Complexo
Escolar Zona Centro, onde fez uma
excelente administração,
foi convocado para dirigir os destinos
da APEP, e transformou-a na principal
entidade de classe - do Estatuto
do Magistério, à criação
da regência de classe, à
luta pela aposentadoria especial
e à defesa da regularização
da situação dos professores
admitidos a título precário.
Quase todas as grandes conquistas
da categoria devem, com justiça,
ser creditadas ao grupo liderado
pelo Prof. Clementino Siqueira.
Homem afeito a encarar desafios,
mesmo enfrentando a má- vontade
de administradores descompromissados
com a educação, o
professor Clementino Siqueira será
sempre lembrado como a grande liderança
do magistério na década
de 70. Ele deu continuidade ao trabalho
que iniciamos na APEMOP, consolidando
e ampliando as conquistas da categoria,
mas foi no Clube do Professor e
na Colônia de Férias
de Luís Correia que ficou
patenteada a sua invencível
obstinação na luta
pela consecução de
seus objetivos. Sem ela, com certeza,
nada disso teria sido feito, pois
todos os obstáculos lhe foram
criados pelo governo Lucídio
Portela, inclusive a retenção,
pela Secretaria da Fazenda, dos
descontos feitos em folha de pagamento
em favor da Associação
dos Professores.
Deixando a APEP, onde se destacou
como líder classista e grande
administrador, o professor Clementino
não se afastou do magistério.
Apenas trocou a escola pública
pela particular. Hoje ele é
um homem realizado e dirige, com
muito zelo e competência,
um dos melhores estabelecimentos
de ensino do Estado - o Pro Campus,
um colégio de 1º mundo.
Orgulho-me de tê-lo como amigo
e um irmão de ideal. A luta
pela valorização da
atividade docente propiciou a nossa
identificação. (Olímpio
Castro)
CLEMENTINO EM DUAS FRENTES
Clementino
Siqueira marcou época no
Piauí defendendo um ensino
público de qualidade, atuando
de forma corajosa à frente
da entidade que congrega os professores.
Lutou, como poucos, pela valorização
do sistema, muitas vezes enfrentando
pressões de governos insensíveis
aos apelos da categoria.
Tendo dado sua colaboração
ao ensino público, ingressou
na iniciativa privada, sendo um
dos responsáveis pelo salto
de qualidade que resultou na formação
de valores já integrados
aos setores empenhados na construção
de um Piauí melhor. (Deoclécio
Dantas)
O EDUCADOR E O LÍDER
O
professor Clementino Siqueira é
um devotado à causa da educação,
que abraçou de corpo e alma,
ainda no vigor de sua juventude.
A esse atributo pessoal e profissional
aliam-se outros, igualmente admiráveis,
como o de pai de família
exemplar e o de líder. A
combinação de todas
essas qualidades fez dele um empresário
de sucesso no Piauí, no setor
educacional.
Sou um admirador
confesso de seu trabalho e de sua
trajetória. Menino do interior,
fez-se na vida, na cidade grande,
à custa do sacrifício
pessoal e de seu próprio
talento. Seu exemplo de luta e de
vida deve inspirar a todos quantos
acreditam na vitória pela
força do trabalho e pela
busca indormida da realização
de seus ideais.
Feliz de quem, como Clementino Siqueira,
pode contar e ouvir sua história
e orgulhar-se dela. Mais feliz ainda
quando essa história orgulha
também a família,
os amigos, os companheiros de jornada
e os colaboradores! (Zózimo
Tavares)
DIVISOR DE ÁGUAS
Éramos
um grupo unido e obstinado, com
um projeto em andamento: melhorar
a qualidade da educação,
através do fortalecimento
do professor, o verdadeiro agente
de tansformação social,
e das instituições
representativas. A política
classista era a muralha, através
da qual as lideranças se
entrincheiravam para combater o
autoritarismo de um regime censor
e discricionário. Wall Ferraz,
Olímpio Castro, Cristina
Leite, José do Egito, Iveline
Prado, Ana Galvão, Deoclécio
Dantas, entre outros, comungavam
as mesmas apirações
de Clementino Siqueira, a quem coube
a tarefa de construir a cidadania
classista, restabelecer a auto-estima
do magistério, fixar uma
luta de conduta sem capitulação,
mas sem ofensas, à altura
da grandeza moral daquele grupo.
Era uma luta desigual. O Governo
era indiferente ás reivindicações
da categoria, chegando a retirar
de folha o desconto destinado à
APEP, cuja renda amortizava o empréstimo
feito ao Banco do Estado para a
construção da sede
da entidade.
A consolidação
da categoria como expressão
política de reinvindicação
e defesa dos direitos dos professores
começou aí. Não
tenho dúvidas em afirmar
que Clementino Siqueira é
o divisor de água entre as
duas fases da APEP. Cabia-me, então,
a tarefa de divulgar, com responsabilidade
e precisão, as ações
desenvolvidas pela equipe.
A missão
seguinte seria reconsturção
do Sindicato das Escolas Paticulares
do Piauí - SINEPE, que atravessava
período de turbulência.
Presidente da entidade, reunificou
a classe, deu-lhe a dignidade que
faltava, equilibrou as finanças,
organizou a administração.
O líder estava de volta,
com o poder carismático de
quem conhece o chão onde
pisa.
Clementino de Jesus
Barbosa Siqueira era o líder,
quele que sabia exatamente o momento
de lutar, de avançar, de
recuar, de reagir, de negociar.
Tinha, como ainda tem, aquele espírito
conciliador, animado pelo ideal
que o impulsiona.
Passado tantos anos,
continuamos juntos, mas em trincheiras
diferentes. Ele, empresário
bem sucedido, proprietário
de um colégio que é
referência de qualidade na
educação privada do
Nordeste.
Continua o mesmo
amigo que sabe compreender e tolerar,
que sabe preservar suas amizades,
como se preserva uma planta secular.
Ao seu lado, caminhando
a passos largos, a sua Dalva, estrela
matutina de invernos bem vividos,
de primavera de risos e fantasias,
apoiando sempre, companheira de
todas as horas, especialmente nos
momentos de angústias, provocados
por ingratidões ocasionais
de poucos, que audou na sua trajetória:
a Dalva, mãe que soube dar,
com o amparo e a proteção
de Clementino, a boa educação
que os filhos possuem.
Ambos caminhamos - eu e ele, para
o outono da vida. as lembranças
ficam na memória, como imagens
agradáveis de momentos vitais
para os nossos destinos.
São poucas as pessoas que
posso classificar de amigas. Clementino
de Jesus Barbosa Siqueira é
uma delas. (Herculano Moraes)
UMA
FIGURA PARTICULAR
Não sei quando começou...
nem sei se realmente começou.
Quando o vi pela primeira vez, faz
muito tempo. Não lembro a
data.
Recordo-me apenas de uma forte empatia
que houve entre mim e aquele jovem
educador. Não havia nenhuma
dúvida, os arquivos da minha
memória cósmica revelavam
o reencontro com um velho amigo.
A amizade é assim mesmo:
um mito, outras vezes um enigma,
nunca se sabe precisar a sua fonte.
É uma lei eterna e imutável,
causa e efeito.
Tenho amizade a Clementino Siqueira,
meu compadre duas vezes, mil vezes,
indo e voltando.
Este homem, que hoje lança
os feitos e efeitos da sua vida
em um livro, merece da minha parte,
simples mortal, um depoimento; por
certo não vale muita coisa,
mas é o meu depoimento.
KELÉ - como o chamamos na
intimidade, é uma figura
particular: meião na altura,
mais para alto, magro, discreto,
emotivo e leal, senhor de um temperamento
ardente e corajoso, nunca se curvou
diante do poder e nem dos poderosos.
Apesar do sorriso sempre fácil
se irrita tão rapidamente
com a injustiça, sendo capaz
de perder o bom humor e partir para
o revide incontinente. Já
o vi, não poucas vezes, chorando
copiosamente diante do sofrimento
e da dor do seu semelhante. Seu
humanismo é a marca maior
da sua personalidade.
Educador por vocação,
administrador íntegro,ágil
e competente, intransigente defensor
dos princípios morais, culturais
e éticos da família.
Nota-se, ainda, na sua alma cabocla,
as marcas do sertão melancólico
e distante. Daí o sentimento
e atitudes que nos dão a
impressão de um saudosista
telúrico.
Vindo muito jovem para a grande
cidade onde conviveu de perto com
o sofrimento e a solidão,
encetou uma trajetória complicada,
trabalhosa e difícil, até
conquistar, com hercúlios
esforços e elegância
nas atitudes, a palma do vencedor.
Nunca esqueceu a gente simples e
humilde da sua terra, onde sempre
retorna como um igual.
Meu compadre, eu lhe quero um bem
danado e faço minhas as palavras
do rei Davi: "Minha amizade
é pura como prata depurada
de toda a ganga e sete vezes refinada."
(Tarciso Prado)