A Repercussão na Imprensa da atuação de Clementino Siqueira

OPINIÃO DO JORNALISTA POMPÍLIO SANTOS, EM SUA COLUNA DOIS TEMPOS DO JORNAL “O ESTADO”
DE 24/09/1976.

"...Em poucos anos, a Associação dos Professores se transformou na maior entidade de classe do Piauí e as realizações se foram sucedendo: Clube do Professor, Jornal do Professor, Biblioteca, Colônia de Férias no Litoral etc. O exemplo da APEP passou a ser lembrado nas sedes de outras entidades, e todos chegavam a uma só conclusão: tudo dependia de uma liderança ou líderes autênticos. Homens que viviam de magistério e que, por isso, sentiam os problemas, as aspirações da classe.

Com a notável expansão da APEP e a consagração de Clementino como líder de classe, os maldosos passaram a especular: o rapaz quer ser vereador. Houve realmente convites partidos do pessoal da ARENA. Clementino disse: Não! Agora passaram a dizer: o rapaz quer ser deputado!
Como se fosse um crime o líder classista alimentar aspirações políticas. Sempre disse e repito: felizes os mestres pelo fato de contarem com um líder da linha de Clementino Siqueira a deputado estadual em 78.”

COMENTÁRIO DO LIVRO APEP - ORGANIZAÇÃO, LUTAS E CONQUISTAS (PROFESSORES EM MOVIMENTO) José Olímpio Castro

"Em meio a esse clima de entusiasmo o Professor Clementino Siqueira recebe um abaixo assinado com mais de 1800 assinaturas pedindo a prorrogação de seu mandato mais uma vez, mas ele só admite permanecer à frente da APEP se for através de eleição direta."
Assim foi feito e foi novamente eleito com uma maioria esmagadora, enfrentando na época os diretores de escolas, a Secretaria de Educação e o próprio governo do Estado.

MATÉRIA DA REVISTA MAFRENSE (Julho/Agosto/1979)

Jamais fomos à APEP (Associação dos Professores do Estado do Piauí), instalada na Rua Barroso nº 808 Norte, para não encontrarmos ali, muita vez o sol ainda mal saído da noite, o seu infatigável presidente - Professor Clementino de Jesus Barbosa Siqueira - metido no seu gabinete de trabalho e absorvido num mundo de casos de interesse dos laboriosos membros de sua classe - a Classe dos Professores - que, só depois de sua presença na Entidade que os congrega, saiu do seu injusto anonimato, mesmo mostrando, para vergonha do Estado, no trajo em especial, a deplorável pobreza da algibeira.

Magro e alto, entrajando sempre a sua bata de Mestre, Clementino recebe o visitante, colega de profissão ou não, sem nenhum protocolo, e de sua boca vai logo saindo, quase como um hobby, o rosário de problemas, uns velhos e outros novos, que prejudicam a sua Classe, secularmente esquecida e deslealmente desrespeitada pelos poderes públicos - compostos, sem nenhuma dúvida, de homens que receberam na infância e na adolescência e às vezes na idade adulta, as luzes que serviram para permitir a cada um, trajeto mais tranquilo nos caminhos deste mundo, que oferecem, em cada desvio, um espanto e uma desilusão.

Temos a imprensão que o professor Clementino Siqueira - seu nome de guerra - nasceu para general e não para professor, mas o seu destino, tecendo no escuro a sua sorte, entregou-lhe no lugar da espada a pena, em lugar da farda a bata, com ele mesmo assim enfrentando grandes batalhas, empunhando firmemente a arma que Deus lhe deu.

Agora, sentindo cada dia os problemas do professor piauiense na arena litigiosa do magistério, a que faz parte, Clementino Siqueira investe, corajosamente, contra os inimigos dos operários do ensino, mesmo sabendo dos perigos que vai enfrentar, atemorizado, sem dúvida, pela possível presença no seu exército, de algum Calabar ou Silvério dos Reis, que os há de sobra em toda frente de Batalha.

E, em documento enviado, no dia 15 deste mês, ao Secretário de Educação do Estado do Piauí, que também traja a bata de professor, o médico Luiz Gonzaga Pires, o professor Clementino Siqueira, como aquele destemor que tanto conhecemos e admiramos, representando o pensamento e a vontade de seus colegas de Diretoria na APEP, professores Eurivan Sales Ribeiro (vice-presidente); Armando da Silva Moura (2º vice-presidente) Maria da Salete Mello (1º Tesoureiro) Miriam Socorro G. Santos (2º Tesoureiro); Vitorino da Costa Filho (3º Tesoureiro); Maria Antonieta Pereira Lopes (1º Secretário); Guido Nazareno Monteiro (2º Secretário); Ivan Pereira de Sousa (3º Secretário); deblatera em favor de seus colegas - insistentemente prejudicados nos seus legítimos direitos, com o condestável da Pasta fazendo ouvido de mercador àqueles que entrajam com ele, educando o Piauí ainda tão deseducado, a mesma bata, professando o mesmo sacerdócio:

“Durante alguns meses, diretores da APEP, professores e interessados na melhor qualidade do ensino, estiveram repensando a educação, tentando identificar as causas que estrangulam o canal da qualificação do ensino. A burocracia, a lentidão,a s conveniências da política partidária, muitas vezes o desinteresse, aqui visto sob o ângulo do descompromisso, são alguns dos pontos que bloqueiam o sistema. Ele funciona, mas o professor, sua peça mais importante, continua colocado à margem das poucas vantagens, que sua frágil estrutura poderia estar gerando para o Magistério. Ele - o Professor - recebe a coroa maior, a responsabilidade maior e, quase sempre, paga pelos erros que minam o desenvolvimento normal do sistema de ensino”.

Mais adiante, Clementino Siqueira, num gesto de alta compreensão por ser caminhante da mesma senda, procura inocentar o condestável da Pasta como quem previne a mordida da áspide de bote armado numa touceira imprevista:

“Entendemos que, com os problemas atuais, é bem difícil para V.Exa. dirigir, com eficiência, a Secretaria da Educação. Mais difícil, porém, é a situação do professor que, enfrentando todo tipo de pressão, tanto social quanto econômica, e as injustiças provocadas por privilégios intoleráveis, se vê forçado a conviver com um sistema em que ele é parte e principal agente, mas que na verdade é toldado por figuras estranhas. Essas figuras humanas e jurídicas em seu sentido lato - degeneram a educação, transformando o sistema num monstro de incontroláveis emoções”.

E arremata Clementino, mostrando conhecer palmo a palmo, como guerreiro experiente que é, todos os acidentes do terreno onde batalha com sua tropa:
“Só uma reflexão profunda, honesta e responsável sobre essas questões e outras que fogem à nossa percepção, poderá conduzir o ensino e a educação a caminhos renovadores, seguros e inteiramente integrados à realidade das necessidades piauienses”.

O tratamento de condestável a Luiz Gonzaga Pires, no decurso deste trabalho, não tem, como não devia deixar de ser, o mais leve caráter pejorativo, apenas definindo, com o respeito que lhe temos desde sua passagem pela Secretaria de Estado da Cultura, o detentor do posto mais alto da educação do Estado, e professor Clementino de Jesus Barbosa Siqueira, que colocou o seu cargo à sua disposição ao mandar-lhe o documento que contém as aspirações justas do professor nativo, sem que seu gesto tivesse qualquer ressonância no bem formado espírito do Secretário, ao finalizar seus argumentos em forma de perguntas para tirar-lhe a incidência desnecessária da frontalidade, faz uma autêntica profissão de fé:
“Sabemos, Sr. Secretário, que V.Exa. também sofre com a crescente deformação do sistema, envolvido por uma gama enorme de pressões que deterioram a idéia e o projeto de um sistema de ensino ideal. E, por isso nós, que representamos os professores, estamos dispostos a ajudá-lo na tarefa de dar à educação e ao ensino uma estrutura capaz de aproximá-la da realidade a que todos nós aspiramos”

Como Presidente da APEP e Superintendente Escolar, acumulavam-se as funções em benefício da Educação.

DIRCURSO DE CLEMENTINO QUANDO DA DESPEDIDA DO CARGO DE PRESIDENTE DA APEP (1979)

No dia 12 de dezembro vindouro estarei completando sete anos como presidente da Associação dos Professores do Estado do Piauí. Foram dias de luta, sofrimento, glórias efêmeras e permanentes; debate acirrado em defesa das causas mais apaixonantes do magistério, como reivindicações salariais, luta pela melhoria e valorização do professor; criação de uma estrutura solidária para a classe, onde o fazer e a conquista institucional, completassem um quadro de satisfação para todos.

Ao longo desse tempo sofri as pressões mais intoleráveis; amarguei incompreensões; vi reduzido o meu salário profissional; vi a força do poder tentando bloquear os ideais de uma classe, porque não me condicionei aos interesses de sistemas e nem me ajoelhei aos pés da prepotência. Quis dar aos professores que confiaram e confiam em mim a retribuição dessa confiança. Não me intimidam as pressões e perseguições contra as idéias que abraçamos. O idealismo é a chama a orientar a força do homem. Fortaleci-me pelo apoio dos meus colegas e sei que todos reconhecem o trabalho de nossa diretoria, pois tenho consciência de que dei à APEP o meu tempo, o meu amor, o suor do meu rosto, a força dos meus ideais, a minha emoção, que refletem, em síntese, a pureza das minhas intenções.

Tudo o que construímos está aí, palpável, real, inquestionável.

Pois é o trabalho que realizamos que coloco na mesa de julgamento do professorado de minha terra. O resultado das urnas, nas eleições de dezembro, será a resposta do professor ao trabalho da equipe que está deixando a entidade. O professor Eurivan Sales Ribeiro, nosso candidato a presidente, é um professor que conhece a sala de aula: autêntico, firme nas suas decisões. Um companheiro que, com sua inteligência e dedicação, organizou o escritório da entidade, implantou um moderno sistema de carnês, graças ao qual conseguimos construir o Clube do Professor e a Colônia de Férias; esteve sempre presente, colaborando, muitas vezes com o sacrifício pessoal, o que é próprio dos idealistas e abnegados.

Foi com ele e os outros companheiros de diretoria que conseguimos transformar a APEP numa entidade de fibra, respeitada e conhecida nacionalmente, fortalecida pelo apoio dos professores, cuja solidariedade - tenho certeza - não nos faltará na hora da decisão.

Ao encerrar o meu mandato, feliz, agradeço a Deus e a você por ter feito alguma coisa pela valorização do professor do meu estado, e gostaria de lembrar-lhe que a nossa entidade não tem fins lucrativos; e alheia às atividades de caráter político e religioso; seus diretores não fazem jus a remuneração, e destina-se exclusivamente à defesa do professor e a proporcionar-lhe melhores condições de vida. Ela não é uma empresa estatal e você é o único responsável pelo seu destino, já que cabe a você, indiferente a qualquer tipo de pressão ou interferência, a escolha de seus dirigentes.” Teresina, 27/10/1979

"As coisas iam muito bem. De repente, tivemos uma interrupção no diálogo com o Governo da época, o do senhor Lucídio Portela, e, para não ver minha classe sofrer por minha causa e também por estar findando o meu mandato, resolvi deixar a representação da classe, que amei e amo muito. Pedi demissão do cargo de Superintendente do Complexo Escolar Zona Centro e acionei o Governo do Estado na justiça para obter os meus direitos, como Especialista em Educação, os quais foram reconhecidos após cinco anos pela Justiça do Estado e pelo Superior Tribunal Federal.”

Casa do Professor: No detalhe Balbina, responsável pela casa na época.