“Como
e por que saí das lutas do magistério”
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| Clementino
Siqueira falando à classe. |
“Terminado o meu
mandato na APEP, eu não desertei
do meu compromisso com minha classe,
mesmo estando sem emprego, sem salários,
sem visitas em minha residência
(todos tinham medo da truculência
do governo do senhor Lucídio
Portela), porém, dediquei-me
exclusivamente aos trabalhos na APEP,
quando, com pouco mais de 30 dias, o
meu sucessor, Prof. Eurivan Ribeiro,
em conversa comigo, externou que gostaria
de ser o presidente e se fosse possível,
gostaria de dirigir a APEP do seu jeito.
Então, entendi a colocação
do amigo como uma sugestão para
que eu me afastasse da entidade. Assim
foi feito. Imaginem dias difíceis,
há pouco tempo o poder estava
em minhas mãos, superintendente
de um Complexo Escolar e Presidente
da APEP e, naquele momento, me via sozinho
e desprezado. Para muitos, minha repentina
saída de cena pareceu ato de
covardia. Mas não era isso. Eu
tive que ser solidário com o
meu sucessor, saindo da linha de frente
e deixando-o à vontade para imprimir
seu estilo de administração
e liderança. Felizmente, não
houve interrupção das
lutas do magistério. Nem minha
amizade com o professor Eurivan sofreu
abalos. Era legítimo que ele
quisesse administrar o seu mandato.
Não sei como tive forças
para suportar aqueles dias dificéis.
Recolhi-me à minha solidão.
Certamente foi um dos maiores traumas
da minha vida, pior ainda porque tive
que suportar calado, visto que naquele
momento o melhor era não dividir
a categoria, senão seríamos
todos presas fáceis para o governante
da época. Avaliei que o meu sacrifício
pessoal decorrente do meu alijamento
involuntário do movimento valeu
a pena. Afinal, os intereses do magistério
sempre foram postos acima dos meus.
Sem destino e desorientado, resolvi
procurar algum emprego na iniciativa
privada, cheguei até mesmo a
conseguir algum, porém no dia
seguinte já estava descartado,
pois não havia ninguém
que não tivesse medo do governo
da época e conseqüentemente
de mim, por ser seu desafeto.
Não tendo outra opção,
casado, pais de 4 filhos, desempregado
e sem perspectivas, tive que ir tentar
sobreviver no campo, em uma fazenda
que havia herdado dos meus pais adotivos,
Agostinho e Carmem, no município
de Oeiras, a 300 km de Teresina. Chegando
à fazenda me deparei com uma
situação caótica:
não tinha transporte, nem dinheiro,
não havia cerca na propriedade,
sem renda e sem plantação.
Então, resolvi ir ao Banco do
Nordeste, na cidade de Oeiras, tomar
um empréstimo. Aí foi
um outro problema muito grave, porém
resolvido após delongas incansáveis,
muitos aborrecimentos, desgaste físico
e emocional, haja vista uma grande má
vontade do gerente, de juros altos,
seca e dificuldade de toda ordem, próprias
do homem do campo. Foi desta fazenda
que durante dois anos eu tirei mantimentos
para minha esposa e filhos, como: rapadura,
farinha, feijão, galinha, ovos,
etc.
Certo dia, ao chegar em Teresina, às
19 horas, o telefone tocou. Era alguém
querendo vender-me uma escola. Fiquei
indeciso e confuso. Mas, chegando naquele
momento e ouvindo a conversa, o meu
irmão Penaforte decidiu que fôssemos
vê-la no dia seguinte.
Daí nasceu a idéia de
comprarmos a escola, porém foi
necessário conseguirmos outros
dois sócios. Penaforte indicou
o amigo Xavier; eu, o meu cunhado Carlito.
A escola custou 80 mil cruzeiros, devendo
ser pagos em 4 parcelas de 20 mil cruzeiros.
Graças a Deus a dívida
foi paga com o lucro auferido na escola,
pois nenhum dos sócios tinha
um cruzeiro em poupança. Com
a ajuda de Deus, do meu irmão
e dos sócios, voltei a trabalhar
naquilo que gostava de fazer, a educação".
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| Festa
no Clube do Professor, em seus
primeiros dias. |
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