Há 27 anos, uma escola de Teresina, fundada por professores, busca na cultura da paz a formação cidadã de seus alunos. É o Pro Campus. Daí o seu slogan: “A paz está na boa educação”. O projeto pedagógico da escola leva em conta que, ao lado do crescimento intelectual de cada aluno, de modo a capacitá-lo a conhecer e a compreender a realidade que o cerca, faz-se necessário investir, também, com o mesmo empenho, na sua formação para a vida. Dessa forma, disseminam-se na escola valores como os da amizade, da família, da ética, da solidariedade, do respeito e da convivência harmoniosa com o meio ambiente como fundamentais para a formação de um homem capacitado para a vida pós-moderna e em paz consigo mesmo e com o mundo em que vive. Nesta entrevista, o diretor do Pro Campus, professor Clementino Siqueira, fala da opção pedagógica da escola, de suas conquistas e de seus desafios.
DIÁRIO – Professor, o que lhe motivou a realizar um projeto educacional com a insígnia “A paz está na boa educação”?
Clementino Siqueira – Sempre acreditei que a paz verdadeira se faz através da boa educação. Portanto, há 27 anos iniciamos a realização deste sonho: construir uma escola onde suas ações pedagógicas visassem, sobretudo, a construção da paz.
DIÁRIO – E qual é a avaliação que o senhor faz hoje desse trabalho?
Clementino – Olhe, isso é um processo. E, quando lanço um olhar para todos estes anos, me emociono ao ver que estamos sendo plenamente vitoriosos, graças a um trabalho em equipe, em comunhão. Conto com uma equipe de abnegados educadores e técnicos capacitados, habilitados e, acima de tudo, comprometidos com a educação. Conto também com a participação efetiva de minha esposa, professora Dalva Siqueira, e dos meus filhos. E, ainda, com a presença e a participação das famílias de nossos alunos na execução desse projeto.
DIÁRIO – Que investimentos o senhor tem feito, ao longo destes anos, para manter vivo e dinâmico esse projeto?
Clementino – Todo investimento que se faz nos segmentos que compõem a escola são importantes, haja vista serem todos fundamentais para a execução do projeto educacional. O primeiro investimento é no corpo técnico-pedagógico, professores e demais profissionais. Esse investimento se dá através de um programa de capacitação continuada. Isto porque este segmento é o responsável por fazer do ambiente escolar um espaço para o crescimento dos educandos, em todos os níveis.
DIÁRIO – Os investimentos em estrutura física também são visíveis...
Clementino – Exatamente! Temos investido no espaço físico, em instalações modernas e adequadas a cada faixa etária. Além disso, disponibilizamos aos educadores todos os recursos necessários para a execução do trabalho docente, seja ele dentro ou fora da sala de aula, pois a educação hoje deve ser para além da sala de aula.
DIÁRIO – E a participação da família, como ela se dá?
Clementino – Há uma grande preocupação, realmente, com este segmento que é fundamental para manter dinâmico este projeto: a família do aluno. Além de um programa de fideliza-ção, implantamos o programa de formação, que se dá através de palestras, seminários, encontros, congressos, festas e shows feitos especialmente para as famílias. Nestes encontros, são discutidos temas relevantes para a caminhada de todos nós – educadores, educandos e famílias.
DIÁRIO – Este projeto de formação se estende também aos alunos?
Clementino – Certamente! Eles são a razão de todo o trabalho. Assim, damos ênfase à formação, cultuando valores éticos, morais e religiosos. Temos uma equipe de educadores que fomentam e promovem encontros para discussão e reflexão sobre os diversos temas relacionados diretamente à formação dos nossos alunos.
DIÁRIO – Professor, e como se dá a formação escolar do aluno? Quais as principais diretrizes para que isso se concretize a contento?
Clementino – Temos uma meta: receber a criança no berçário e educá-la até a 3ª série do Ensino Médio. Dessa forma, pretendemos assegurá-la, e à sua família, uma educação continuada, segura, capacitando-a para os desafios da vida, entre eles os concursos vestibulares. Toda a nossa estratégia é montada nessa perspectiva. Este ano, por exemplo, em todas as séries foi alterada a carga horária para que haja mais tempo para aprofundamento dos conteúdos. Incluímos, desde a primeira série do Ensino Fundamental, as disciplinas de língua estrangeira (Inglês e Espanhol), além do estudo sistemático de Filosofia e Informática. Os alunos dispõem de um grande aparato educacional e, ainda, de serviços de profissionais de psicologia e de psico-pedagogia.
DIÁRIO – O senhor enfatiza sempre a participação da família no dia-a-dia da vida escolar do aluno. E para aquelas famílias que não têm tempo, efetivamente, de fazer esse acompanhamento, que alternativa a escola apresenta?
Clementino – Começamos em 2006 uma experiência no Pro Campus que vem dando bons resultados. É o After School. Estamos estendendo esta experiência para os alunos de 5ª e 6 a séries do Ensino Fundamental, já com outra denominação: PAE (Programa de Acompanhamento Escolar), em fase de implantação.
DIÁRIO – E em que consiste esse programa?
Clementino – Bem, ele consiste em disponibilizar no turno inverso ao das aulas uma equipe de educadores que exercerão as seguintes funções: incentivar os alunos para a importância dos estudos; acompanhar a execução das tarefas de casa; orientar para a prática da pesquisa e métodos de estudo; auxiliá-los quanto às duvidas que possam surgir e trazer novas fontes de estudos e outras atividades para que os alunos enriqueçam os conteúdos trabalhados em classe.
DIÁRIO – E para os demais alunos?
Clementino – Para os alunos de 7ª e 8ª. séries do Ensino Fundamental e os do Ensino Médio oferecemos reforço escolar nas disciplinas que eles apresentam maiores dificuldades na aprendizagem.
DIÁRIO – Professor, o grupo Pro Campus é pioneiro como escola privada na promoção do Concurso de Redação. Que avaliação o senhor faz desse projeto?
Clementino – O Projeto Concurso Estadual de Redação vem sendo realizado há 6 anos. Seu objetivo principal é estimular e despertar nos alunos o gosto pela leitura e a habilidade da escrita. Ele faz parte das estratégicas utilizadas pelos educadores para execução do tema escolhido para o ano pelo Projeto Educacional.
DIÁRIO – Como assim?
Clementino – Há 6 anos, o Pro Campus escolhe temas para fundamentar suas ações pedagógicas durante todo o ano letivo. Isso tem instigado na comunidade escolar reflexões críticas e tomadas de decisões. Já contemplamos temas como Guerra e Paz; os 150 anos de Teresina; Piauí – presente, passado e perspectivas; Você no ciclo da vida; Patrimônio Cultural do Piauí, dentre outros. Este ano, o foco e a Amazônia, sob o tema “Planeta Amazônia, nossa morada, nosso desafio”.
DIÁRIO – Como isso é trabalhado na escola?
Clementino – Durante todo o ano letivo, são promovidos seminários, encontros, rodas de conversas, para discutir o tema em foco. Além da escolha dos livros paradidáticos que tratam da temática escolhida. Outra estratégia é o Projeto Formando Leitores, executado durante todo o ano letivo. Aí a escola busca criar no aluno o hábito de ler por prazer, dando-lhe condições de formar seu senso crítico e criativo. Além disso, implantamos há alguns anos as oficinas de redação no Ensino Médio. Este ano, avançamos para o Ensino Fundamental, a partir da 3ª. série. Nestas oficinas, os alunos aprendem a redigir por meio de trabalhos realizados nos laboratórios de redação, culminando, pois, em bons resultados nos concursos vestibulares, Enem e outros.
DIÁRIO – A propósito, qual é a ênfase que o Pro Campus dá ao vestibular? E qual tem sido o desempenho de seus alunos?
Clementino – Nós temos aí um trabalho muito positivo e muito gratificante. Alem do acompanhamento dos alunos, os coordenadores e professores desenvolvem um trabalho muito interessante e que tem sido o diferencial. Apesar de uma carga horária de 8 ou 9 horas/aula, por dia, o aluno é estimulado a estudar em casa mais 8 horas, no mínimo. Além disso, temos Grupos de Estudos voltados especificamente para os conteúdos do vestibular. Desenvolvemos também o Projeto de Orientação Vocacional, que visa instrumentalizar os jovens para a escolha profissional consciente, coerente e crítica. Na execução deste projeto, são promovidos Ciclos de Palestras com renomados profissionais das diversas áreas do saber. Aproveito a oportunidade para agradecer o apoio de algumas faculdades que disponi-bilizaram seus professores para via-bilizarem este projeto. À Novafapi e ao Instituto Camilo Filho, o nosso muito obrigado!
DIÁRIO – E qual tem sido o desempenho dos alunos no vestibular?
Clementino – No vestibular deste ano, 90 por cento dos alunos da 3ª série do Ensino Médio foram aprovados, sendo 55,35 por cento para universidades públicas. Tivemos alunos aprovados em primeiro lugar em Direito, Enfermagem, Ciências Contábeis e entre os 20 primeiros colocados no vestibular da Uespi. Nestes anos todos, tivemos alunos aprovados em Medicina, Medicina Veterinária, Fisioterapia, Educação Física, Direito, Pedagogia, Artes, enfim para todas as áreas.
DIÁRIO – E quais são as outras conquistas dos alunos do Pro Campus?
Clementino – Vou citar algumas: de acordo com o resultado do Enem/2007, permanecemos entre as 15 melhores escolas do Piauí; conseguimos a Medalha de Prata na Olimpíada de Química promovida pela Universidade Federal do Piauí, em nossa primeira participação; em 2006, participamos do Concurso Cultural “Paz, eu também quero!”, em nível nacional, promovido pela Paulinas Editora, e conquistamos o primeiro lugar. Este ano, já conseguimos o terceiro lugar na fase regional do Concurso Internacional de Redação de Cartas da UPU – União Postal Universal. Por último, participamos, com mais dez grandes escolas particulares de nossa capital, de uma gincana cultural promovida pelo Teresina Shopping, comemorativa aos seus dez anos. O conteúdo era sobre o Piauí. Mais uma vez, conquistamos o primeiro lugar!
DIÁRIO – Ao lado dessa proposta pedagógica arrojada, que ação a escola desenvolve na área social?
Clementino – Muito bem! Torna-se muito difícil trabalhar valores como solidariedade, respeito e preocupação com o próximo sem uma prática efetiva desses valores. Te-resina é, ainda, uma cidade provinciana e bucólica, mas já apresenta sinais bem nítidos de problemas de uma cidade média ou grande, mesmo. Aí temos problemas como a fome, a miséria, a violência urbana, etc. Esta realidade deve despertar em nós, como escola, uma postura de leitura crítica e tomadas de decisões que nos levem a uma prática, a um compromisso social. Então, nestes 27 anos, aproveitamos os eventos, as festas comemorativas, para realizar ações concretas em favor do próximo. Por dez anos consecutivos, realizamos a “Gincana Por Um Mundo Unido” e há 7 anos estamos realizando a “Festa Junina Solidária”. Ambas visam à promoção e à conscientização solidária dos alunos na participação e colaboração em equipe. As equipes visitam as entidades que atuam nesse trabalho social, arrecadam donativos junto à comunidade e distribuem, conforme a necessidade de cada uma, mantimentos que têm ajudado sobremaneira entidades como a Escola Aberta, Lar de Misericórdia, Abrigo São Lucas, Toca de Assis, Casa Frederico Ozanan, Comunidade São Miguel e a Comunidade São Pedro, estas últimas aqui na Paróquia de Nossa Senhora de Lour-des. Mas esta é apenas uma semente, um sinal que nos faz concluir que se o mundo não é melhor é porque não somos melhores.
DIÁRIO – O trabalho educacional é, portanto, um grande desafio...
Clementino – Um desafio constante, e esta é a razão maior de nossa missão. É um grande desafio e uma grande responsabilidade cuidar daquilo que os pais têm de mais importante: os filhos.
DIÁRIO – Mas o senhor vive plenamente a sua vocação, a sua missão de educador...
Clementino – Perfeitamente! É um trabalho que nos realiza plenamente. Primeiro, é a realização de um sonho. Segundo, é gratificante acompanhar o crescimento do aluno em todos os níveis e fazer parte da história de cada um. Terceiro, é impagável a satisfação que temos ao chegar ao mundo do trabalho e encontrá-lo exercendo a sua profissão com brilhantismo, seja como professor, médico, advogado, artista, administrador, enfim, exercendo plenamente a sua cidadania..
O EDUCADOR
Com mais de 30 anos atuando no magistério, o professor Clementino Siqueira é licenciado em Pedagogia, com habilitação em Administração Escolar (UFPI); especialista em Educação e professor aposentado de Matemática da rede estadual de ensino. Foi superintendente do Complexo Escolar “Zona Centro”, no período de 1973 a 1979; presidente da Associação dos Professores do Estado do Piauí (APEP), no período de 1973 a 1979 (três mandatos); delegado da Confederação dos Professores do Brasil (1993/1995); presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Teresina (SET) e presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado do Piauí SINEPE-PI, no período de 1990 a 1991. Também foi diretor da Federação Interestadual das Escolas Particulares (FIEP), no período de 1994 a 1996, e membro do Conselho Estadual de Educação. É membro da Academia de Ciências do Piauí e diretor do Pro Campus.
A ESCOLA
O Pro Campus é hoje uma das principais escolas do Piauí. Funciona no centro de Te-resina em três prédios modernos, arquitetonicamente projetados como espaço propício ao ensino-aprendizagem em ambiente saudável e aprazível. Conta com ginásio poliesportivo e emprega como ferramentas pedagógicas equipamentos tecnológicos de ultima geração. A escola mantém um site na internet (www. procampus.com.br) para divulgação de suas atividades e comunicação direta com a família, que pode acompanhar diariamente todas as ocorrências dos alunos e as atividades propostas. Os pais das crianças nos primeiros anos de vida escolar podem acompanhar os filhos, com imagens em tempo real, também através da internet. A gestão escolar privilegia a descentralização das ações pedagógicas e administrativas e enfatiza a divisão dos alunos por faixa etária.
Transcrito do Jornal Diário do Povo
14/05/2007